O último texto que escrevi falava sobre humildade.
Naquele momento eu não sabia que, depois dele, viria um período de silêncio.

Não foi ausência.
Foi travessia.

Durante esses meses, muitas coisas não aconteceram fora — mas aconteceram dentro.
Aprendi a observar sem reagir imediatamente.
Aprendi que nem todo afastamento é rejeição e que nem toda presença significa conexão.

Por muito tempo acreditei que precisava caber em espaços que não me acolhiam completamente.
Tentei explicar, ajustar, compreender, esperar.
Hoje percebo que não era falta de esforço.
Era apenas falta de reciprocidade.

E essa compreensão não chegou com revolta.
Chegou com calma.

Existe uma tristeza silenciosa quando aceitamos certas verdades, mas junto dela nasce algo maior: paz.
A paz de não lutar contra o que já se mostrou.
A paz de não falar mais ao vento.

Eu não desapareci.
Eu continuo aqui.

Presente, mas sem insistência.
Aberta, mas sem expectativa.
Disponível apenas para aquilo que encontra eco verdadeiro.

Aprendi que humildade também é aceitar quando um ciclo muda de forma — sem precisar transformar isso em conflito ou culpa.

Hoje sigo mais leve.
Não porque tudo se resolveu, mas porque dentro de mim encontrou lugar.

E quando o silêncio deixa de doer, ele passa a ser companhia.

Talvez crescer seja exatamente isso:
continuar caminhando sem precisar convencer ninguém do próprio valor.

Eu continuo  

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Sobre o LUZ NO LABIRINTO

Bem-vinda (o) ao meu cantinho de travessias. Aqui, cada palavra é uma lanterna acessa dentro de um labirinto.

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