
Uma frase dita na infância ecoou como um trovão suave dentro de mim: você pode ser quem você quiser. Para outros, isso talvez fosse liberdade. Para mim, foi uma tempestade de possibilidades, como se todas as portas do mundo se abrissem de uma só vez. Eu, pequena, me perguntei: como assim eu posso ser quem eu quiser, se eu só queria ser eu?
Então, comecei a vestir personagens como quem experimenta roupas que não me pertencem. Fui filha obediente, fui aluna silenciosa, fui mulher que se moldava para caber em molduras pequenas demais para o tamanho de minha alma. Vesti máscaras não por vaidade, mas por sobrevivência. Cada papel era um disfarce, um escudo contra o olhar severo do mundo.
Mas hoje, ao olhar para trás, vejo que nada disso apagou a essência. Os personagens foram ensaios, os palcos foram lições, mas a estrela sempre esteve acesa. Descobri que ser quem eu quiser nunca foi sobre me inventar, e sim sobre despir-me do excesso. É voltar a ser quem sempre fui — uma estrela indomada, que não cabe em padrões, mas brilha pelo simples fato de existir.

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