No primeiro, o passado tentou invadir.

As paredes conhecidas eram, na verdade, cárceres antigos.

As vozes que buscavam me aprisionar já não tinham força —

eu estava desperta, lúcida, consciente de que era um sonho.

O ataque não me atingiu,

porque eu já não pertencia àquele tempo.

No segundo, o cenário se abriu em um shopping.

As luzes, as vitrines, o movimento —

eu e minhas duas estrelas caminhando.

No banheiro, algo estava diferente,

um aviso silencioso de que a realidade também muda.

Na loja, a vitrine alta de louças me chamou.

Subi. Observei. Vi o todo.

Mas a descida exigia um salto impossível,

e a queda veio como destino.

As louças tombaram, o som ecoou.

Mas nada se quebrou.

Nem o vidro, nem a porcelana, nem eu.

Tudo foi recolhido, reorganizado.

O prejuízo calculado, mas não real.

E as estrelas, que haviam se afastado,

retornaram com um cartão nas mãos —

um gesto de ligação, um fio de amor que permanece,

mesmo quando a distância parece dizer o contrário.

Assim, os dois atos se encontram:

o passado não me prende,

o presente não me destrói,

e o futuro retorna em novas formas de amor.

Sou a que desperta, a que cai sem quebrar,

a que observa, organiza, e continua.

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Sobre o LUZ NO LABIRINTO

Bem-vinda (o) ao meu cantinho de travessias. Aqui, cada palavra é uma lanterna acessa dentro de um labirinto.

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