Hoje o dia amanheceu daquele jeito que me acalma: nublado, manso, sem o exagero da luz. Sempre achei curioso como esse tipo de céu me traz paz, talvez porque a claridade em excesso me deixa agitada — vai ver é o meu jeito sensível de existir.

A rotina da manhã foi tranquila. Levei as crianças para a escola, voltei para casa e, num raro momento de indulgência, me permiti descansar. Dormi bem. Acho até que sonhei, embora não lembre com clareza… Mas tudo indicava que seria um dia leve.

Ledo engano.

No retorno da escola, fui surpreendida pelo eletricista que está trabalhando na obra da casa dos meus pais. Ele me chamou com aquele tom de urgência contida e disse que houve um “pipoco” — dessas palavras que a gente já sente que vem bomba — e faíscas saíram do poste que alimenta a energia da minha casa.

De imediato, liguei para a companhia elétrica e registrei a ocorrência. Fiquei com aquela sensação de que algo não ia andar como deveria. Dito e feito: passaram-se quase 12 horas e ninguém apareceu.

Cheguei em casa ao cair da noite — e estava tudo escuro. Teresina, minha gente, é uma cidade quente. E sem energia, o calor parece triplicar. Liguei novamente para buscar uma resposta. A atendente, com voz de quem não sabia se estava atendendo um chamado ou pedindo uma pizza, disse que não havia nenhum registro do ocorrido. Agiu como se tudo fosse novidade.

Respirei. Respirei de novo. E foi aí que entendi: era mais um daqueles dias que vêm para testar a paciência, a fé e o autocontrole. E cá estou. Escrevendo, porque escrever é minha forma de manter a luz acesa — mesmo no escuro.

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Sobre o LUZ NO LABIRINTO

Bem-vinda (o) ao meu cantinho de travessias. Aqui, cada palavra é uma lanterna acessa dentro de um labirinto.

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