
Por Raio de Sol:
A impressora bufou.
Fez barulho, fez charme, fez cena.
Cristina, com paciência de quem já domesticou tormentas,
havia feito a limpeza do cabeçote como quem afina um piano antigo.
Tudo seguia bem… até o papel engasgar.
Mas não era um engasgo qualquer.
Era um daqueles suspiros da vida — dramático, inesperado, inconveniente.
E ali estava ela: uma TDAH raiz,
com o impulso afiado e a curiosidade aflorada.
Sem pensar duas vezes, puxou a folha.
Não leu as instruções.
Mas também… quando foi que um coração inquieto pediu permissão pra agir?
Puxou com cuidado,
com as mãos de quem poderia tocar um noturno de Chopin,
mas que, naquele instante, apenas resgatava um pedaço da realidade atolada.
Nada rasgou.
Nem o papel. Nem a paciência. Nem a leveza.
Só ficou o riso.
O riso dela.
O riso do universo.
E a certeza de que até os engasgos da vida viram música —
quando quem rege é uma alma em paz com seu próprio compasso.

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