
Houve uma noite em que o tempo desacelerou.
As palavras se recolheram, e o corpo passou a dizer o que a boca não ousava nomear.
Sentada diante de uma mesa qualquer, entre goles de silêncio e pausas longas, fui me reencontrando.
Um gesto, um olhar inclinado, a mão no rosto, o abraço em mim mesma…
Meu corpo inteiro parecia querer dizer:
“Eu estou aqui. E estou sentindo tudo.”
Houve instantes de contemplação, de escuta atenta, de reflexão firme.
Instantes em que permaneci sem pressa — como quem já não precisa provar nada.
Apenas ser. Apenas sentir.
E então veio o instante que mudou tudo:
um sorriso ao lado do meu.
Maria Letícia.
Minha luz. Minha menina.
A resposta silenciosa para tantas perguntas que me fiz.
A razão pela qual meus olhos, por mais cansados que estivessem, ainda buscavam o horizonte com esperança.
Ela, que me faz sorrir por dentro mesmo quando o mundo lá fora parece escuro.
Ela, que representa a continuidade daquilo que sou:
força, sensibilidade e fé.
Sim…
Entre tantas camadas de silêncio, o amor encontrou sua forma mais pura:
um instante de luz.
Nosso instante.

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