
Quando criança, eu tinha um talento peculiar: perder minhas sandálias Havaianas todos os dias. Saía para brincar e, em algum momento, elas simplesmente desapareciam. Chegava em casa e, como era de se esperar, levava uma bronca daquelas.
Então, desenvolvi uma “estratégia brilhante”: comecei a sair de casa sem as sandálias. Mas, para minha surpresa, apanhava do mesmo jeito. Ainda assim, nunca deixei de sair para brincar.
Afinal, para mim, a liberdade de correr descalça, sentir a terra nos pés e explorar o mundo sempre foi mais importante do que o medo das consequências.
Só que a liberdade cobrava seu preço. Uma vez, pisei em uma brasa que jogaram na calçada, e o ardor me ensinou da forma mais dolorosa que o mundo lá fora tinha seus desafios. Outra vez, correndo para tomar banho no açude, me machuquei feio, e carrego essa cicatriz até hoje. Mas nenhuma dessas marcas foi capaz de me impedir de continuar explorando, vivendo e me aventurando.
O tempo passou, e eu aprendi que nem sempre podemos controlar tudo. Mas algo nunca mudou: a vontade de viver sem deixar que o medo nos prenda.
Se eu pudesse dizer algo para aquela garotinha descalça, seria:
“Continue correndo, pequena. A vida tem muito chão para você explorar.” 💛

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