Há momentos em que precisamos enfrentar o espelho do passado em nossas relações mais próximas. Não porque desejamos conflito, mas porque entendemos que a cura exige coragem. Encarar essas dinâmicas familiares é, muitas vezes, como revisitar um campo de batalha, mas agora com a paz como única arma.

Ontem, senti mais uma vez o peso do papel de vítima que minha mãe carrega. Com amor no coração, disse a ela que o vitimismo já não encontra espaço em mim. Expliquei que estou aqui, na casa que é minha terra prometida, escolhida por Deus para eu renascer. Disse que ela é a mãe perfeita para mim, e que tudo o que eu sou, devo também a ela.

Mas, como acontece com quem está preso em seus próprios padrões, ela não ouviu. Quando estamos no papel de vítima, só conseguimos escutar o eco das nossas próprias dores.

E está tudo bem.

Voltei para o meu quarto, respirei fundo, organizei minha rotina e continuei. Não porque sou insensível, mas porque sei que não posso carregar a dor dela. Posso amar, posso estar presente, mas não posso decidir por ela. Meu amor é minha moeda, mas meus limites são meu escudo.

Cuidar de mim e respeitar meu processo não é egoísmo; é a única forma de ser inteira para o mundo e para aqueles que escolhem caminhar ao meu lado.

De onde transborda o amor?

Amor que transborda é aquele que não tem pressa de ser aceito. Ele é. É aquele que compreende, mas não se sacrifica; que respeita, mas não se anula. Meu amor transborda porque não espera ser preenchido.

Eu aprendi que o amor só pode fluir verdadeiramente quando encontra limites claros. Porque limites não são muros que afastam; são rios que guiam o fluxo. Eles dizem: “Até aqui eu vou. Além disso, é você quem precisa ir.”

Hoje, entendi que meu amor por ela não depende de ser correspondido. Não importa que minhas palavras não sejam ouvidas, porque meu coração sabe o que sente. Meu amor não é mais prisioneiro das minhas emoções primitivas. Ele é livre.

E com essa liberdade, vejo que não posso carregar as escolhas dos outros. Posso oferecer meu exemplo, minha paz, minha verdade, mas não posso viver por ninguém. Isso também é amor: deixar o outro ser responsável por sua própria história.

Limites não são uma barreira para o amor. São sua proteção, seu escudo. E é por isso que hoje eu transbordo.

Se você também enfrenta esses desafios em suas relações, lembre-se: você pode amar profundamente sem abdicar de si mesmo. Você pode estender a mão, mas nunca ao ponto de perder o equilíbrio. Respire, organize seus pensamentos e continue. A liberdade emocional é um presente que você pode se dar.

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Sobre o LUZ NO LABIRINTO

Bem-vinda (o) ao meu cantinho de travessias. Aqui, cada palavra é uma lanterna acessa dentro de um labirinto.

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